27 de abril de 2008 - Jornal da Orla - Santos
O porto de São Sebastião, no litoral norte, é a aposta de diversificação da movimentação de cargas do governo de São Paulo. Mesmo que a implementação dos projetos tenha de vencer etapas complicadas e não seja para breve, a discussão avança e não é difícil prever um tempo em que, de forma complementar ou não às suas atividades, o Porto de Santos terá de se ver com um concorrente na movimentação de cargas a 100 quilômetros de distância.
Não se trata de um projeto de papel como o do porto em Peruíbe. São Sebastião existe há muito tempo, é público e, desde o ano passado, estruturou-se como Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), saindo da esfera da empresa Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) à qual era vinculado.
O objetivo do governo José Serra é torná-lo um porto multiuso, com foco em contêineres e cargas gerais, capaz de receber navios bem maiores do que Santos suporta, graças à profundidade natural do canal entre a cidade e Ilhabela, onde já existe o maior terminal de movimentação de petróleo e derivados do país, o Terminal Almirante Barroso (Tebar), da Transpetro, uma subsidiária da Petrobras.
Atualmente suas dimensões e calado não permitem a entrada de grandes navios, limitando-se a movimentar granéis, animais vivos e automóveis. Por isso a idéia é ter píeres avançando no canal, a exemplo do que acontece com o Tebar, para operar com calados de até 22 metros. Como comparação, Santos tem planos de, ao concluir um custoso processo de dragagem, consiga chegar aos 17 metros de profundidade.
“Desde o início de suas atividades, em outubro passado, a Companhia Docas vem avaliando o cenário presente e do futuro próximo, sistematizando projetos que foram elaborados ao longo das últimas décadas e discutindo com as demais autoridades (municipais, estaduais e federais) e com segmentos da sociedade o Plano Integrado Porto-Cidade.” As palavras são do presidente da CDSS, Frederico Bussinger, velho conhecido do porto santista, no qual exerceu o cargo de diretor comercial e de desenvolvimento na década de 90 e, atualmente, representa o Governo do Estado no Conselho de Autoridade Portuária (CAP).
Ele prossegue: “O projeto objetiva melhorar a qualidade das operações e dos serviços, e potencializar o uso da infra-estrutura existente. Por outro lado, busca definir diretrizes para o desenvolvimento e expansão futura do porto, a partir de uma visão de futuro na qual ele seja descomplicado, seguro, eficiente, amigável com a cidade e o meio ambiente e, também, bonito, pois não é inevitável que os portos sejam áridos e feios como inúmeros exemplos mundiais o confirmam.”
"Esse plano, além das instalações para movimentação de cargas, propriamente ditas, procura harmonizar um conjunto de intervenções e de projetos, muitos deles antigos, feitos pela própria administração do Porto, pela Prefeitura e por outros órgãos. É o caso do alfandegamento do porto, da implantação do seu plano de segurança (ISPS-CODE), da melhoria da qualidade das operações com granéis.”
Como era de se esperar, há resistências aos planos por parte de entidades ambientais que, paradoxalmente, não compareceram em peso ao seminário realizado no final de março, que debateu o projeto em São Sebastião. A maior divergência refere-se à possibilidade de que os planos incorporem o aterro do remanescente da baía do Araçá que foi aterrada no passado para conformar a área de retroporto atual.
|