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INFORME DO PORTO DE SÃO SEBASTIÃO |
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Audiência sobre ampliação do porto gera confronto entre moradores novos e caiçaras |
30 de maio de 2009 - Imprensa Livre - Mara Cirino
A audiência realizada na noite da última quinta-feira, no plenário da Câmara de Ilhabela mostrou que a comunidade ainda está dividida e com muitas dúvidas sobre possíveis impactos que a obra de ampliação do Porto de São Sebastião pode trazer para o município ilhéu. Por quase quatro horas o presidente da Cia Docas São Sebastião, Frederico Bussinger, fez uma explanação para mais de 150 moradores que lotaram o espaço e fez esclarecimentos, principalmente na questão sobre a influência no setor turístico.
Após passar slides com dados históricos sobre o porto, acessos aquaviários e rodoviários, atual movimentação de carga e as mudanças previstas com as obras, os microfones foram abertos para os participantes.
Dúvidas sobre segurança, queda no turismo, crescimento desordenado e possíveis degradações ambientais estiveram em pauta. Felipe Spiritos, do Aquário de Ilhabela, questionou que quem escolhe morar no município o faz por conta da natureza, de ser uma vida simples.
Nesse caminho também explanou o representante da Associação Vivamar, Antônio Lopes. “Não queremos compensação financeira, nossa qualidade de vida não tem preço”, disse. Com vários questionamentos, ele chegou a comparar que o porto local poderá se transformar em algo semelhante ao de Tubarão, no Espírito Santo, que segundo ele, “deixa uma nuvem preta sobre a cidade”.
O presidente da Docas esclareceu que essa não é a atual realidade até porque foi nascido e ainda tem família naquela região. Ele também ressaltou que a ampliação do porto não vai acabar com o turismo da ilha. “Pelo contrário, vai haver geração de emprego e hoje se trabalha com desenvolvimento sustentável”.
O prefeito Toninho Colucci, que participou da mesa, explicou ao morador que quando se fala de compensação ela não está ligada ao dinheiro em espécie, mas em ações que o governo do Estado deve fazer para ajudar os municípios. “Saneamento básico, hospital regional, segurança, aterro sanitário. São essas questões que devemos discutir e cobrar do Estado”, alertou. Paulo Roberto Nakal atentou para o fato do projeto ser irreversível e que o mais importante é “deixar o bairrismo de lado e se buscar aquilo que pode beneficiar o município”. Nessa linha, ele solicitou que a companhia reveja projetos de cunho turístico como a marina pública, o museu do mar e mesmo o terminal de navios de passageiros para que esses sejam instalados em Ilhabela.
“É uma questão que ainda não havia sido levantada, mas nada impede que estudos sejam feitos a respeito do assunto”, adiantou Bussinger. Com relação às alegações das pessoas que escolheram o local para morar, ele ressaltou que o projeto de ampliação do porto também é um projeto social. “É o futuro para o seu filho, filhos da terra. Pelo menos 35% dos trabalhadores do porto são de Ilhabela”.
O portuário Reinaldo Alves Moreira, coordenador intersindical, contou que há 39 anos trabalha no local e que o debate não deve ser visto como interesse particular como percebeu no encontro. “Ouvi falar que o porto é isso, é aquilo, que traz prostituição, drogas. Já temos isso tudo aqui, independente do porto. Somos 157 funcionários e defendemos o desenvolvimento sustentável, defendemos criar novos postos de trabalho. Muitos de vocês vieram morar aqui depois de fazer a vida, ter condições financeiras. Eu nasci aqui na Ilha, minha família mora aqui e corro o risco de ver meu filho ir embora por não conseguir emprego no local onde nasceu. Isso é justo?."
Já o secretário de Cultura da Ilhabela, Rogério Ribeiro de Sá (professor Catolé), pediu aos presentes para que não promovessem a desunião no Litoral Norte. “Hoje, discutirmos regionalmente o turismo e é assim que deve ser feito. O futuro já chegou, é hoje, então vamos cobrar mais efetivo da polícia, cobrar ações que beneficiam toda a comunidade”.
Esgotado com a extensão da audiência, o vereador de São Sebastião, Marcos Tenório, convidado do evento, disse que se perdeu uma excelente oportunidade para discutir os anseios da comunidade quando a preocupação de muitos era com coisas menores. “Que isso sirva de exemplo para todos nós porque o mais importante deixou de ser debatido”.
A organização do evento foi da Prefeitura e Câmara de Ilhabela. Além da comunidade participaram diversas autoridades, entre elas, o diretor de Gestão Portuária, Paulo Rogério de Souza Almeida, o vice-prefeito de Ilhabela, Nuno Gallo, a secretária de Turismo, Maria Inez Ferreira. Compareceram ainda os vereadores de Ilhabela Jadiel Vieira (Keko), Erick Pinna, Carlos Alberto de Oliveira Pinto (Carlinhos) e Marcelo Santos. De São Sebastião também estiveram presentes o presidente da Câmara, Luiz Santana Barroso (Coringa), e os vereadores Solange Ramos, Artur Balut e João Amâncio dos Santos (Noca).
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